:: CASOS REAIS ::


André Paes Leme Paioli

Não tenho a pretensão de me passar por fisioterapeuta ou coisa que o valha, sou apenas um advogado tributarista e estou aqui apenas para relatar os benefícios desta modalidade chamada equoterapia/hippoterapia, uma terapia com auxilio de um cavalo.
Tudo começou quando eu descobri que tenho uma doença incurável e progressiva chamada Ataxia.spinocerebelar, (é uma doença que afeta o cerebêlo fazendo que ocorra desequilíbrio, fadiga muscular precoce e debilitação da visão) a partir deste dia minha vida teve uma reviravolta.

Minha esposa se divorciou de mim, alegando que não estava preparada para conviver com uma pessoa doente (até parece que eu pedi para ter esta doença), depois o meu psicólogo, também alegando que não tinha estrutura para continuar a me atender devido ao fato de eu ser um doente, me abandonou e, por fim metade dos meus “amigos” me abandonaram, aí é que “a ficha caiu”.
A partir deste momento tive uma enorme decepção e passei, então, a esconder meus “problemas” de todas as pessoas e a evitar sair de casa.
Bem, seis anos depois, percebi que precisava de alguma terapia e comecei a fazer fisioterapia dentro da água e um tipo de condicionamento de solo.
Dois anos depois, cansado de fazer a fisioterapia dentro da água, pois os resultados são muito lentos, eu parei e comecei a procurar outras formas de terapia.
Minha prima Márcia (Márcia Cury) então me falou que estava montando um centro de equoterapia na Mirassol, que eu iria gostar e seria muito bom para minha doença.
Como a minha doença se resume na total falta de equilíbrio, eu passei então a procurar uma desculpa para não fazer este tipo de terapia, sem magoar minha prima.
No dia de iniciar a equoterapia pedi a Rebeca (Rebeca de Barros Santos) professora de equoterapia, que primeiro me ensinasse a cair, pois eu não possuía equilíbrio algum e jamais ficaria em cima de um cavalo.
Ledo engano, montei no cavalo e comecei a fazer todos os exercícios que a Rebeca me mandava efetuar, e comecei a gostar desta terapia, a ponto de aguardar ansiosamente as quinta feiras (dia da equoterapia).
Após doze sessões minha vida mudou “da água para o vinho”, ou seja, mudou radicalmente até o enfoque que eu tinha da doença, passei a assumir minha deficiência e a sair de casa sempre que me convidavam.
Além do que, depois que eu passei a assumir minha doença perante a todos, tive até condições de assumi-la perante o meu filho Pedro de oito anos.
Participei então de uma prova de adestramento paraequestre e além de conseguir uma boa colocação eu passei a gostar muito de estar fazendo a equoterapia, ter participado de uma prova me fez muito bem e me deu um estímulo muito grande.
A partir deste momento eu passei a idolatrar a Rebeca e a Márcia, pois elas conseguiram me mudar radicalmente e me mostraram, principalmente a Rebeca, que possuíam um enorme conhecimento e segurança do que faziam.
Todos passaram a me tratar de uma forma mais carinhosa e a partir de então eu passei há viver o dia como se ele fosse o ultimo, esqueci o passado, onde fui um atleta, e passei a ser mais feliz.
Todas estas mudanças só vieram a ocorrer graças a Rebeca, seu profissionalismo e sua maneira de gostar do que faz.
Apesar da minha atual maneira de ver o mundo, ainda assim defendo a tese de que qualquer limitação física deve se iniciar com o nascimento e não passar a existir depois de você já estar habituado com a falta dessa limitação, ou seja, é melhor nunca ter visto do que depois de ver passar a não enxergar mais.
O que aconteceu comigo foi que eu que era um esportista, fiz faculdade e servi o exército, e derrepente passei a ser uma pessoa cheia de limitações.
Apesar de defender esta tese, tenho que reconhecer, A EQUOTERAPIA ME SALVOU.


Atenciosamente.


André Paes Leme Paioli (*)
RG 16.327.783
CPF 13.484.108-08
E-mail: drandre@silveiraequercia.com.br
Campinas, SP
(*) publicação autorizada.



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